Bom dia pessoal, como vocês estão?

Hoje queria falar sobre um assunto muito delicado, mas que, ao mesmo tempo, acho que é muito importante, porque às vezes enfrento algumas situações desconfortáveis e até mesmo por falta de conhecimento dos outros em saber entender as ações do próximo.

Conforme venho comentando em artigos anteriores, a Melissa tem Apraxia de fala, o que faz com que ela não tenha uma comunicação verbal tão apurada e muitas pessoas não conseguem trabalhar com isso para entender que sem a comunicação verbal, tudo fica mais difícil.

A Melzinha tem uma comunicação alternativa fantástica, ela consegue se comunicar de outras maneiras, como apontando, mostrando e até mesmo falando da maneira dela, mas de uma forma com que as pessoas possam ajudá-la a ter o que ela está querendo.

É muito difícil, até mesmo para pessoas típicas, quando querem algo e não conseguem ser entendidas. Imaginem, então, uma criança que hoje tem apenas 5 anos, que tem um congnitivo fantástico, que entende tudo, mas que vê que as pessoas não a entendem... Ela se frusta em muitos momentos!

Quando a Melzinha tinha 3 anos, eu já percebia que ela entendia que tinha Síndrome e, como sempre, fui atrás de alternativas para poder ajudá-la, assim como eu também entender e poder falar com ela para explicar sobre a Síndrome de Down.

A Melissa iniciou as terapias com a Psicóloga Daniela Cheraid em Janeiro de 2018, quando tinha 3 anos e 9 meses. Estávamos trabalhando o aceitar dela, porque ela não deixava ninguém mexer em seu cabelo ou rosto, por exemplo.

Tivemos um trabalho duro para que ela pudesse aceitar esse toque. Muitas análises levavam a entender que ela ficou tramautizada com as diversas internações que ela teve, pois usava máscara de oxigênio, soro, lavagem nasal, bombinha, etc...

Bem, o trabalho foi gerando resultados e ela aceitando cada vez mais. Mas cada momento da vida tem sua ação. Hoje ela já está mais compreendida ainda, e sabe que tem sua diferença com as demais crianças, ela percebe que não fala como as demais, entende que precisa de suas adaptações e já, POR INCRÍVEL QUE PAREÇA, sabe que existe um estereótipo de beleza.

Gente, dói demais você conversar com a Psicóloga para ter um retorno sobre a evolutiva do trabalho, e você saber que sua filha, pequena ainda, com apenas 5 anos, já entende que a sociedade impõe um estereótipo de beleza.

Ela fica triste em ver que não está sendo aceita como é, e quer ser como outros. Me parte o coração de vê-la assim. Por mais que ela saiba que é amada, que fazemos tudo por ela e que ela É LINDA, infelizmente a sociedade quebra tudo isso.

A Melissa, muitas vezes, batia nas crianças. Hoje diminuiu muito, mas iniciou uma outra mania que é mostrar a língua.

Queria que muitos entendessem que isso não é falta de educação. Isso é uma maneira que ela está tendo para se defender, já que não consegue se expressar, de forma total, verbalmente, como a sociedade impõe que faça.

Acreditem ou não, ela tem mostrado a língua para todos que olham para ela, pois ela acha que estão vendo a Síndrome de Down e não a Melissa. Que não enxergam a Melissa como a pessoa Melissa, mas sim enxergam primeiro a Síndrome, a diferença que ela tem com relação à sua deficiência. Ela está fazendo isso para já desviar os olhares que a vêem como incapacitante.

Um ponto que a Dani  trouxe é que crianças de até 6 anos, quando mostram a língua ou batem ou fazem algo de atitude negativa, e as pessoas revidam da seguinte maneira: “ai que feio isso...” as crianças sempre inverter  e acabam entendendo dessa maneira “você é feia fazendo isso”...

Por isso, mais uma vez, as pessoas precisam entender e saber lidar com certas atitudes, pois muitas vezes, a maneira como é abordado, pode agravar ainda mais a situação.

Uma maneira de trabalhar isso é: primeiramente tentar entender o que a criança está passando; quando for conversar, sempre estar na mesma altura / olho no olho (normalmente ajoelhar-se para conversar com a criança) e até mesmo falar de uma maneira diferente como:  “ah isso não é legal fazer”.

Muitos podem achar isso absurdo, mas não é! Durante a conversa com a psicóloga, os trabalhos que ela faz com a Melissa, tudo mostra o entendimento que ela tem de tudo.

Juro!!! Quase chorei escutando certas coisas, pois meu coração ficou partido em ver minha pequena com um turbilhão de sentimentos conflitantes em seu interior.

Eu quero ajudá-la e muitas vezes não posso. Não estarei com ela todas as horas do dia. E por isso a terapia ajudará nesse embate de emoções para que ela cresça como pessoa e consiga resolver seus conflitos por conta própria.

Terapia com Psicóloga

Terapia com Psicóloga

Preciso dar essa automonia e independência para ela, afinal não estarei aqui a vida toda.

Quero que todos vejam a minha filha como ela é, não com o diagnóstico da Síndrome de Down. Não quero que as pessoas generalizem, como muitas vezes escuto: "Nossa, eles são tão carinhosos, eles são assim mesmo, eles não falam bem mesmo né"... etc

Já coloquei aqui em outro artigo que todos são diferentes de todos, mesmo as pessoas típicas que se consideram normais... Portanto queria que vocês tentassem ver a Melissa como ela é, uma criança alegre, inteligente, que não fala hoje mas está no processo de terapia para isso e que mesmo não falando entende tudo.

O caminho é individual, cada criança terá o seu desenvolvimento, mas o mais importante é a criança saber que tem uma base de amor, que terá suporte nos momentos difíceis de sua vida.

Quando a causa não pode ser expressa de um lado, será expressa de outro, gerando um conflito interno ainda maior, mas isso não vai paralisar a construção interna.

Bem, desculpem ser um artigo mais longo, mas é realmente difícil colocar em poucas palavras uma situação como esta.

Espero que eu possa ajudar as pessoas, quando enfrentarem situações similares.

Um grande abraço pessoal e até semana que vem.