Bom dia pessoal, tudo bem com vocês?

Dando continuidade aos estudos que fiz com a Psicopedagoga e Fonoaudióloga Letícia Silva, gostaria de trazer para vocês um pouquinho a respeito de como poderíamos trabalhar com a evolução da escrita usando os Multigestos.

É importante lembrar que a escrita e a leitura devem sempre caminhar juntas. Sempre que se faz o trabalho para que a criança evolua na leitura, tem que ser trabalhado também o processo de evolução da escrita.

Então, vamos lá!

Os componentes para esse processo da escrita são:

1 - Codificação gráfica: transformar o som em letra (considerado CARRO CHEFE para o processo – este precisa ser garantido)

2 – Grafia: escrita manual

3 – Produção: é a criança saber organizar seus pensamentos e idéias e saber produzir algo que possa ser lido.

Se vocês investirem nos dois primeiros componentes, o processo da produção será muito mais tranquilo.

É sempre importante fornecer algo visual, trabalhar com o concreto para que a criança consiga buscar em sua memória o grafema relacionado ao som.

PROCESSO DE ESCRITURA

PROCESSO DE ESCRITURA

Neste momento realmente é importante ver as condições da criança e se vocês percebem que existe uma limitação de coordenação motora, é preciso conversar com a família e orientar a necessidade de acompanhamento de profissionais, como uma Terapeuta Ocupacional. Caso realmente tenham crianças sem condições, teremos que trabalhar como for possível.

É importante lembrar que a criança com AFI (Apraxia de Fala na Infância) tende a ter mais dificuldade em escrita, mais do que na leitura.

Existem duas formas de escritas:

Escrita lexical (memorização visual das palavras), tem o acesso direto ao léxico e não será necessário ficar falando a palavra, quanto mais frequente a palavra é usada com a criança, mais rápido essa memorização e ai permite a escrita de palavras que possuam padrões ortográficos irregulares. EX: Casa (mesmo tendo som de z), Carro (mesmo tendo 2 R)

Escrita fonológica (consegue resgatar em memória qual é a letra daquele som e escrever). Você vai apresentar para a criança a figura, movimento articulatório e mais o gesto para ajudar nesse resgate e aí ela trazer o grafema. Você oportuniza para a criança essa memória.

As crianças copistas tem apenas grafia e não conseguem fazer essa ligação de fonema x som. Nestes casos, precisamos voltar para trabalhar com consciência fonológica, mas não deixar de trabalhar os demais processos mais avançados.

Este método é uma mediação dos sons da fala, então o ideal é não trabalhar com palavras irregulares, como por ex: exame = exame (aqui não trabalhar com gesto, usar lexical)

A aquisição da escrita é um processo gradual, passando de desenho para a escrita propriamente dita.

Existe uma evolução, quando você pede para escrever aí desenha, depois passa a fazer garatuja (brincar de escrever mas que não tem significado algum).

PROCESSO DE ESCRITURA

No processo de produção, você pode ajudar a criança trazendo para o concreto algo que ela precisa escrever.

Exemplo: escrever a palavra BOLA. Você pode usar fichas/botões ou qualquer tipo de objeto para que ela quantifique quantas sílabas ela terá que escrever (consciência silábica) e trabalhar também segmentação das sílabas. Assim ela conseguirá organizar sua memória fonológica. Além disso, quando a criança tiver a dificuldade, você pode ajudar trabalhando a memória fono articulatória: “Vamos lá, fecha a boca e estoura, que som foi esse?”

Quais as fases que as crianças passam? Temos as hipóteses de escrita, e são elas:

1- Hipótese pré silábica – não consegue fazer essa relação de som com letra. Não ditar letras pois não vai conseguir entender depois, melhor seria fazer o som da letra e não dizer a letra ou até mesmo disponibilizar a letra móvel. Aqui existe também o realismo nominal, ou seja, palavra grande conforme o tamanho do objeto (BOI / JOANINHA).

As letras são aleatórias e aparecem muitas que compõe o nome da criança.

PROCESSO DE ESCRITURA

2- Hipótese silábica – criança já conhece sons das sílabas e uma letra para cada sílaba. Aqui teremos duas situações: as que possuem o valor sonoro e as sem valor sonoro.

O que seria isso? Exemplo: BOLA - a criança escreve letras, porém que não tem sonoridade à palavra, e quando tem, escreve letras da palavra:

BOLA – PE (são letras porém que não são da palavra e não tem sons correspondentes. Aqui neste momento necessitamos trabalhar a consciência fonológica)

BOLA – AO (são letras da palavra e os sons são correspondentes)

3- Hipótese silábico alfabético – maior percepção dos fonemas contidos nas sílabas

PROCESSO DE ESCRITURA

4- Hipótese alfabética – transição entre consciência silábica para fonêmica. Escreve quase certo, faltando algumas letras ou contendo alguns erros ortográficos.

PROCESSO DE ESCRITURA

Por onde começamos? Primeiramente precisamos saber qual nível de escrita a criança está. Ofereça apoio de imagem para trabalhar esse início.

Se a criança não pegar no lápis você pode fazer o apoio na parte superior do lápis, mas nunca pegar na mão da criança, pois cria-se uma dependência muito grande.

PROCESSO DE ESCRITURA

Criança que faz garatujas, como começar?

Trabalhar com pauzinhos ou bolinhas para quantificar as letras da palavra.

Trabalhar um pouco essa coordenação motora fina, juntamente com o trabalho da Terapeuta Ocupacional.

Depois que a criança já está iniciando processo de letras você apresenta as vogais e sons usando o multigestos. Ideal trabalhar sempre com o concreto para que fique mais fácil essa assimilação. Pode-se trabalhar com letras de EVA, letras de pano, letras de caixinhas para colocar coisas coloridas dentro etc...

PROCESSO DE ESCRITURA

Normalmente as letras caixa alta são melhores para trabalhar por terem traçados mais retos. Ideal é não trabalhar com letras animadas, aquelas que tem formas humanas com braços, olhos... porque para crianças com dificuldades visuais acaba atrapalhando.

Estratégias – trabalhar com o apoio de construção de letras de madeira ou magnéticos. Aqui vou colocar o link de um artigo que fiz usando um apoio de construção de letras magnéticas.

http://amordown.com.br/artigo/alfabetizacao-269

Inicialmente você vai trabalhar com folhas grandes sem oportunizar espaço, porque a criança ainda precisa desenvolver essa consciência de tamanho.

Este trabalho será iniciado com vogais, onde você coloca a imagem, pede para completar as vogais usando o gesto e falando a palavra reforçando as vogais. Além disso, pode ter o apoio visual.

PROCESSO DE ESCRITURA

A criança começa a dar conta desse processo, aí sim vai oportunizar o espaço.

PROCESSO DE ESCRITURA

Quando se trabalha muito bem a etapa pré silábica, as crianças chegam na fase silábica com consciência do fonema muito bem estabelecido, o que facilita no processo da escrita.

Depois desse trabalho com as vogais, passa a chamar a atenção para as consoantes, usando carimbos do Multigestos, usar letras móveis para mostrar a letra que está faltando ou qualquer tipo de material de apoio, oportunizando essa busca de sua memória fonológica.

PROCESSO DE ESCRITURA

Se você observar que a criança está tendo resistência em pegar o lápis, dê a oportunidade dela escrever com outros materiais como massinhas, letras de EVA etc...

Neste processo você vai colocar a imagem do objeto, as fichas e aí colocar 3 sílabas e pedir para a criança pegar a sílaba e construir a palavra.

PROCESSO DE ESCRITURA

Na Fase silábica alfabética devemos chamar atenção para os sons na sílaba, você vai diminuindo as quantidades de pistas, pode usar os smiles mas já sem usar as letras móveis, assim saberemos se realmente a criança está com a memória fonológica trabalhada.

É preciso mostrar a quantidade de letras na palavra, nesse processo você pode usar casinhas com espaços para cada letra, usar letras com velcros etc.

PROCESSO DE ESCRITURA

Lembrem-se que os resultados sempre são mais efetivos quando temos a parceria PROFISSIONAL x FAMÍLIA x ESCOLA.

O processo de Leitura e escrita requer :

Metodologia adequada -> Formação de professores -> Participação da família e profissionais -> Motivação da criança -> Objetivos e estratégias bem definidas -> conhecer potencialidade e limitações da criança

Bem, espero ter ajudado um pouquinho para que vocês possam também iniciar esse trabalho com suas crianças de forma mais lúdica. A criança fazendo parte dessa criação, tem um incentivo e terá maior interesse.

Obrigada pessoal e espero vocês semana que vem!

Um grande abraço a todos!