Bom dia queridos seguidores! Hoje queria trazer um assunto que traz muitas dúvidas e insegurança para as famílias de pessoas com Síndrome de Down.

De uma forma simplificada, trago informações da médica Endocrinologista Especilialista Dra. Adriana Mangue Esquiaveto Aun - Endocrinologista Pediatra da Clínica Aun, Mestre em Saúde da Criança e do Adolescente pela Faculdade de Ciência Médicas da Unicamp, Doutoranda em Saúde da Criança e do Adolescente pela Faculdade de Ciência Médicas da Unicamp - médica da Melissa desde o seu nascimento.

A Dra. Adriana sempre nos ajudou muito com informações importantes e nos tranquilizou muitas vezes quando algumas notícias foram trazidas ou dadas de maneira inadequada ou até mesmo incorretas.

Segue abaixo uma explicação da Dra. Adriana sobre o assunto:

A Síndrome de Down (ou trissomia do 21) é uma condição humana geneticamente determinada decorrente de uma alteração cromossômica caracterizada por uma cópia extra do cromossomo 21. A presença do cromossomo 21 extra na constituição genética determina características físicas específicas e atraso no desenvolvimento.

Existe um conjunto de alterações associadas à SD que exigem especial atenção e necessitam de exames específicos para sua identificação. São elas: cardiopatia congênita, alterações oftalmológicas, auditivas, do sistema digestório, endocrinológica, do aparelho locomotor, neurológicas, hematológicas e ortodônticas. No que diz respeito ao sistema endócrino, o hipotireoidismo acomete de 4 a 18% dos indivíduos com Síndrome de Down (SD) e requer atenção especial e acompanhamento especializado.

O hipotireoidismo é definido pela diminuição da função tireoidiana, seja por um déficit na secreção dos hormônios tireoidianos T4 e T3 (hipotireoidismo primário) seja por um déficit no estímulo central (hipofisário ou hipotalâmico – hipotireoidismo secundário ou terciário, respectivamente).

As crianças com Síndrome de Down têm um risco 35 vezes maior de apresentar hipotireoidismo que a população geral e, nesses casos, a disfunção na tireoide se dá principalmente por uma agressão à glândula pelo sistema imune, denominado tireoidite auto-imune.

O diagnóstico clínico de hipotireoidismo nas crianças com SD é muitas vezes difícil já que os sinais e sintomas de hipotireoidismo como por exemplo apatia, aumento de peso, cansaço e pele seca podem ser comumente encontrados nas crianças com trissomia. Além disso, como a presença dos hormônios tireoidianos é fundamental para o desenvolvimento cerebral, o diagnóstico precoce do hipotireoidismo se faz extremamente importante, para evitar danos neurológicos e comprometimento intelectual irreversível.

O diagnóstico laboratorial compreende a dosagem do hormônio TSH (aquele produzido pela glândula hipófise que estimula a tireoide a sintetizar hormônios) e os hormônios tireoidianos propriamente ditos (ou seja, produzido pela própria glândula), tiroxina ou T4 e triodotironina ou T3. Num quadro laboratorial de hipotireoidismo espera-se níveis elevados de TSH e níveis baixos de T4 e/ou T3. Simplificadamente, nessa situação temos uma glândula que funciona pouco (traduzido pelos baixos níveis de T4 e/ou T3) sendo hiper-estimulada pela hipófise (aumento de TSH) na tentativa de "acordar" a tireoide.

Nesse contexto laboratorial, podemos nos deparar basicamente com duas situações clínicas comuns:

1-      Presença de níveis elevados de TSH e níveis normais de T4 e T3: esse quadro é denominado hipotireoidismo subclínico; não há necessidade de tratamento já que há produção hormonal pela tireoide, graças a um aumento de estímulo pela hipófise, não havendo, portanto, comprometimento clínico. É uma situação comum, sendo recomendado apenas seguimento com dosagens laboratoriais.

2-       Presença de níveis elevados de TSH e níveis baixos de T4 e T3: esse quadro é denominado hipotireoidismo clínico, sendo necessário tratamento.

Além disso, como dito acima, a principal causa de hipotireoidismo é a agressão autoimune sofrida pela glândula. Dessa forma, a dosagem laboratorial de autoanticorpos, em especial o antiperoxidase (ATPO) e o antireoglobulina (ACTG), são interessantes na abordagem diagnóstica. A dosagem positiva para esses anticorpos confirma a origem da agressão ou ainda, em não havendo alteração nas dosagens hormonais, podem predizer risco futuro de desenvolver hipotireoidismo.

O tratamento dá-se basicamente pela reposição hormonal através de levotiroxina sintética. A administração é feita por via oral, com o indivíduo em jejum, diariamente. O início do tratamento deve ser imediato, assim que diagnosticado hipotireoidismo clínico. Nos casos de hipotireoidismo subclínico a decisão sobre quando tratar ainda é controversa. Somente o médico endocrinologista que acompanha periodicamente a criança estará apto a recomendar (ou não!) o início do tratamento; levando-se em consideração não somente os valores laboratoriais mas também aspectos clínicos, aspectos cognitivos e de crescimento.”

 

Espero ter trazido mais informações a vocês e assim também ajudá-los a buscar profissionais especializados para esse acompanhamento que é FUNDAMENTAL a nossas crianças.

Até a próxima pessoal.