O público de coração da Sueli são as pessoas com Síndrome de Down e Idosos. Ela se formou em 2009 na PUC Campinas, tem especialização em Neuropsicologia, Arte e Arteterapia, além de outros cursos sempre voltados para a área da saúde mental. O setor de inclusão e área social também a encantam pelos desafios e a gratificação de perceber o potencial dos chamados "Especiais" e o quanto ainda temos que melhorar para essa inclusão ser verdadeira. Ela já trabalhou em residencial de Idosos, em espaços de colégio fazendo a mediação e adaptações para pessoa com deficiência intelectual e cognitiva, em ambientes hospitalares, além de atendimentos domiciliares para idosos, grupo de mulheres, mães de crianças com vulnerabilidade social em creches, dentre outros.

Para que vocês possam conhecer um pouco mais sobre a Sueli e o trabalho que ela desenvolve, fiz uma pequena entrevista, que segue abaixo:

 

  1. Conte-nos um pouquinho mais sobre você e o porque você decidiu seguir a carreira profissional como Terapeuta Ocupacional.

Minha trajetória na Terapia Ocupacional iniciou mesmo antes até de saber da existência dessa graduação. Em 1983 Deus nos presenteou com uma sobrinha Katia, que nasceu com SD, frágil e com muitas complicações de saúde. Foi um susto, como acontece na maioria dos casos, e naquele tempo não se tinha tantos recursos ou não sabíamos da existência deles. Mais caminhamos cuidando da Katia e procurando incluí-la nos espaços apropriados para os cuidados do seu caso.

Passou-se algum tempo, com 50 anos fui prestar vestibular e entre minhas opções estava a Terapia Ocupacional. Não tive dúvida, era isso que eu queria fazer, mergulhar no conhecimento da mente humana e suas anormalidades e poder contribuir não só na nossa necessidade familiar, mais para o mundo. Ou seja, o sentir na pele me motivou a ser hoje o que sou com muita alegria.

 

  1. Qual é o papel da Terapeuta Ocupacional?

O Terapeuta Ocupacional tem conhecimentos e habilidades para promover a reabilitação física, mental e social do indivíduo nas mais diversas áreas da vida, sendo uma delas a saúde mental onde encontramos o perfil da Síndrome de Down.

Todos os estímulos são de maneira específica para cada pessoa e com intervenção gradativa para terem uma evolução positiva junto ao profissional, mas principalmente com a família.

A T.O. usa as brincadeiras para trabalhar a parte sensorial das crianças, em se tratando das crianças com S.D., o fortalecimento corporal, sensibilidade e percepção de membros. No cotidiano, no dia a dia da criança, trabalha-se também o lúdico.

São oferecidos os recursos como brinquedos e objetos de variadas texturas, tamanhos, utilidades, cores, sons, etc, dando à criança a oportunidade de experimentar e se descobrir com a capacidade de ir vencendo barreiras e descobrindo potenciais.

Desde a primeira infância até a idade adulta, fazemos um atendimento de descobertas possibilitando a integração no meio social, mostrando a eles que são capazes, tratando-os como indivíduos e não como dependentes sem escolhas e opiniões.

 

  1. Quais estímulos a TO fará com os bebês/crianças que auxiliarão no desenvolvimento delas?

Em se tratando da fase bebês/crianças com a SD, a recomendação é que os estímulos sejam feitos o mais breve possível para alcançar o máximo de evolução positiva para a criança e também para família. É importante informar que a Terapia Ocupacional pode promover, com seu trabalho, um caminho de evolução de sentido crescente, desde os primeiros momentos até a vida adulta, que trabalha outras questões importantes para a independência do indivíduo e suas conquistas pessoais. Uma das ferramentas dos estímulos da Terapia Ocupacional é o brincar, momento em que o lúdico nos dá repertórios para desenvolver um trabalho que pode ser avaliado em vários aspectos como: coordenação motora, postura, atenção, percepção, trabalhar o sistema psicomotor, sistema sensorial, esquelético e muscular entre outros.

 

  1. Poderia nos dar dicas de exercícios/estímulos que as mamães e papais possam fazer em casa com suas crianças?

O primeiro estímulo poderoso para a evolução de uma criança é o AMOR INCONDICIONAL, a partir dele vem os demais.

Observar os mínimos gestos e possibilidades permite que enfrentemos desafios que são possíveis de se alcançar. Os primeiros exercícios são literalmente corporais, assim como o tato, olfato, o ouvir bem baixinho, o aconchego carinhoso que permite o sentir do respirar e as batidas do coração, que num compasso perfeito está se comunicando com o estímulo do AFETO. Objetos que proporcionam o contato com a motricidade da criança, fina e ampla, e outras noções como lateraridade, amplitude, explorar ambientes, formas, texturas, tamanhos, neste momentos as informações cerebrais estarão sendo enviadas ao corpo e estimulando para que a resposta dos exercícios aconteça e as limitações vão sendo superadas. 

 

E assim foi a nossa entrevista com a T.O. Sueli. Quero muito agradecer a disponibilidade da Sueli Souza para dividir com todos os nossos seguidores as suas experiências e esclarecer a importância dessa terapia na vida de pessoas que necessitam desses profissionais.

Ressalto a vocês que o nosso blog está aberto a perguntas e dúvidas que tiverem em qualquer momento da leitura do artigo e até mesmo depois, no dia a dia de suas crianças.

Estamos trabalhando juntos para que os nossos filhos tenham as devidas condições de desenvolvimento e as informações possam alcançar a todos, independente de sua localidade.