Hoje, com muito orgulho, trazemos para vocês uma conversa que tivemos com Dudu do Cavaco, 26 anos, e seu irmão Leonardo Gontijo, 37 anos.

1. Leonardo, como nasceu a proposta do Projeto Mano Down?

        R: Surgiu do amor incondicional que sinto por meu irmão e pela vontade enorme de ajudar a construir uma sociedade menos desigual e mais inclusiva.  Surgiu após o primeiro livro “Mano Down: Relatos de um irmão apaixonado”, que escrevi contando a história de vida do meu irmão. Com a forte repercussão do livro, começamos formatando alguns produtos para serem comercializados, uma vez que, antes do livro, a maioria das atividades dele era gratuita.  A ideia primordial do Projeto Mano Down (hoje Instituto Mano Down)  é criar oportunidades de maior autonomia para o Dudu, para que ele possa exercer um controle cada vez maior sobre sua vida, além de demonstrar todo seu talento artístico e capacidade. Aos poucos, porém, o programa foi se tornando mais amplo, abrangendo não só a vida do Dudu, mas de várias pessoas com down.  Como costumo falar: meu irmão tirou minha viseira e passei a ter menos invisibilidade social. Aprendi que o preconceito tem que ser combatido com atitudes e iniciativas e não com o discurso do coitadismo "do por que eu?". Ele me despertou para urgência de mudarmos alguma realidade e que era preciso abordar o assunto não como coitadinho e sim como aprendizado e exemplo de vida.

Bate Papo com Dudu do Cavaco e Leonardo Gontijo

 

 

2. Leonardo, como você enxerga a inclusão da pessoa com Síndrome de Down na sociedade? Você acredita que houve uma grande evolução na conscientização da capacidade, desde o nascimento do Dudu até os dias de hoje?

           R: Penso que avançamos a passos lentos, porém tendo a ver um caminho. A aprovação agora em agosto/2016 da Lei Brasileira de Inclusão foi mais um passo. Penso também que as redes sociais ajudam as famílias a fazerem contatos e verem exemplos. É por isso que lutamos. Acreditamos que com amor, estímulo e autonomia podemos avançar muito. Afinal, segundo o IBGE, 45 milhões de brasileiros tem alguma deficiência. Ainda falta avançar muito na inclusão escolar, acredito que se crescermos com a diversidade lidaremos melhor com este tema. Sou otimista e vejo um horizonte de conquistas a frente.  A meu ver, a maior dificuldade é a falta de informação. São as barreiras atitudinais. São os mitos que são criados. A lei do menor esforço impede a inserção das pessoas com down no mercado de trabalho. O que percebo que muitas empresas querem contratar os “menos deficientes”. Muitas empresas nos ligam querendo pagar para cumprir a cota e a pessoa nem ir na empresa. Por isso batalhamos tanto para que a inclusão ocorra desde pequeno, nas escolas, pois quando crescermos a diversidade, penso que teremos um olhar menos seletivo para este tema.  Estamos avançando e acreditamos que a informação e o convívio social são as soluções e caminhos para avançarmos mais.

3. Dudu, como iniciou a paixão pela música e pelo cavaco?

        R: Desde novo observava as pessoas tocarem... Percebemos que a música podia ser um instrumento de inclusão. Eu amo a música desde pequeno. A música me faz vibrar.

        R: A carreira artística do Eduardo começou precocemente. Desde bebê ele já participava das rodas de samba da família e tomou gosto pela música. Aos seis anos foi modelo, sempre com um pandeiro na mão, em um desfile de modas em um shopping na região sul de Belo Horizonte. Ali percebi que o garotinho levava jeito.  Muito estimulado por seus primos, principalmente o Igor, e seus tios, principalmente o Maurício, Eduardo foi sendo despertado pela música. Todas as pessoas da família sempre o trataram como as demais crianças, com respeito e estímulo. Todos, e especialmente meus pais, sempre lhe passavam confiança e vibravam com a superação de cada desafio. A música foi uma ferramenta de desenvolvimento. Foi e é sua grande companheira.  Hoje ele toca 5 instrumentos (cavaco, banjo, pandeiro, repique e surdo) tem sua própria banda (Dudu do Cavaco e Banda) e também toca com o grupo Trem das Onze.

 

 

      

4. Quais são os planos futuros? 

      R: Consolidar minha carreira de músico, tocar com o Roberto Carlos e casar com a Vitória.

 

5. Gostariam de deixar algum recado para todas as famílias, amigos e leitores de nosso Blog?

      R: Acredite e lute pelos seus sonhos. Viva a vida com leveza e alegria.

 

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Dudu e Léo, MUITO OBRIGADA pela participação e por nos proporcionar este momento maravilhoso em conhecê-los ainda mais de perto.

PARABÉNS pelo trabalho e dedicação!