Por que será que crescemos e aprendemos mais quando passamos por alguma situação de dor e angústias?

Existem várias maneiras de reagir em momentos como estes... muitos acabam perdendo a fé e outros se apoiam ainda mais em sua crença, acreditando que a resposta chegará.

Bem, vou contar a vocês como foi um dos meus momentos mais angustiantes e desesperadores... Há um ano atrás a Melzinha estava ÓTIMA, sem brincadeira... Retornou suas aulas em Janeiro de 2016 com o curso de férias, aprontou um monte na escola com seus amigos, tudo estava mais que perfeito!

Porém, em Fevereiro, quando todas as crianças retornaram à escola, o que não é nada difícil, ela pegou o que parecia um resfriado... Teve febre, diminuiu seu apetite drasticamente (e como vocês sabem ela é uma “draguinha” kkkk come TUDO), o que me deixou preocupada.

Observeri a Mel durante aquele dia e percebi que ela estava bem ofegante, fazendo força para respirar. Minha primeira ação foi conversar com a pediatra da Melzinha, Dra. Flávia Nogueira, contando qual era o quadro e como ela estava viajando em Congresso, pediu que a levasse para o Vera Cruz, para realizar exames mais detalhados e obter o acompanhamento da médica que estaria de plantão, que teria a orientação e o histórico da Mel por parte da Dra. Flávia.

No dia 10 de Fevereiro de 2016 levamos a Mel no Vera Cruz, fomos atendidos pela médica do plantão de pediatria, que já estava em contato com a Dra Flávia.

Primeiramente, o exame clínico e depois solicitação de exames extras como raio x, sangue, etc. Os exames mostraram que o pulmãozinho já estava bem tomado do lado direito. Fizemos algumas inalações com medicamentos para ver se a ajudava a respirar melhor, porém sua saturação estava baixa demais e não estava respondendo muito bem ao tratamento.

Aprendendo com a dor

Em razão disso, teve que entrar com oxigênio para poder ajudar o pulmão e não sobrecarregar nenhum outro órgão.

Aprendendo com a dor

E foi aí que recebemos então a notícia de que ela precisaria ser internada para ser melhor assistida e com um acompanhamento mais de perto dos profissionais. Subimos para o quarto era umas 23h, ela estava assustada, tinha que ficar com o suporte de oxigênio, tipo de uma caixa de acrílico com tubo de O². Ela não parava quieta, chorava demais e aquilo não adiantaria...

Foi quando o enfermeiro falou que não seria bom ela ficar no quarto, que a saturação dela estava muito baixa e que seria melhor se ficasse na UTI onde teria o monitoramento constante.... NOSSA... meu coração gelou... UTI??? Quando ouvimos essa palavra, já dá um gelo, pois sabemos que a situação não é tão simples e que realmente ela está precisando de cuidados grandes...

Me lembro como se fosse hoje, eu falando pro meu marido que eu ficaria com ela o tempo inteiro, que ele poderia ir embora, só me trouxesse uma troca de roupa e escova de dente... Meu coração estava apertado demais, mil coisas passando por minha cabeça e pensando, como seria... Pedi a Deus para iluminá-la e ajudá-la, afinal era só uma bebê que teria muitas conquistas ainda pela frente... Por favor, poupasse ela de qualquer sofrimento e que a ajudasse numa recuperação rápida.

São momentos assim que escolhemos enfrentar de maneira positiva ou negativa... Eu acreditava que Deus não a desampararia... teve momentos em que cheguei a pedir: “Senhor, cure-a e me deixe no lugar dela se for necessário... Ela é tão pequenina, não entende, está com medo... Por favor, me coloque no lugar dela...”

Nossa cabeça e nosso coração sempre fazem muitas coisas inesperadas em momentos de desespero.

A Melzinha tem as veias fininhas, conhecidas como cabelinhos de anjo. Foi um grande sofrimento pegar a veia dela para que iniciassem as medicações... Pediram que eu me retirasse do quarto da UTI, pois fariam os procedimentos com ela e depois me chamariam para retornar ao quarto... MEU DEUS... meu coração quase saiu pela boca... Ficar na sala de espera, sozinha, imaginando minha pequenina lá, com pessoas que ela nunca tinha visto... O que eu pude escutar era o choro dela... Neste momento só rezava e pedia a Deus misericórdia e que ajudasse na recuperação rápida para que ela não sofresse tanto.

Aprendendo com a dor

Bem, só sei que a equipe de enfermagem foi nota 1000 e que sempre estavam presentes e tirando nossas dúvidas. Alguns médicos eram mais humanos e nos orientavam com maiores detalhes, outros já eram mais secos e que não passavam tantas informações, nos deixando às vezes com muitas perguntas na cabeça. Mas faz parte, nem sempre encontraremos pessoas 100% a todo momento, não é mesmo!?

Por mais difícil que tivessem sido esses momentos, percebemos que neles nascem grandes amizades... Conheci pessoas maravilhosas que hoje são minhas amigas, me apoiaram o tempo inteiro e me deram muitas instruções para questionar médicos, acompanhar como estavam fazendo com a Melzinha no uso do O², medicamentos, etc.

Deus nos envia anjos em forma de pessoas para nos ajudar nesses momentos críticos. Nos colocam à prova para saber o quanto podemos aguentar e acreditar que tudo dará certo.

Durante os 8 dias de internação, não foi fácil! Pensa não dormir... ficar o tempo inteiro olhando para ela e os monitores para ter certeza que ela estava bem... Nossa senhora! Que momento de “nóia”!

Mas graças a Deus ela se recuperou rápido, a cada dia era uma melhora...

Aprendendo com a dor

E depois disso vê-la recuperada e em casa, brincando novamente...não tem preço!

Quando fomos para casa, tivemos que continuar com alguns cuidados, como a Fisioterapia respiratória, com a Maria Angélica, que é uma das pessoas que me apoiam até hoje. Ela me ensinou muitas coisas sobre ausculta pulmonar para que eu pudesse acompanhar a Mel e ter uma atenção maior sempre que precisasse. Além de ensinar também a contar a frequência respiratória e aferir a saturação.

Agora eu estava mais preparada para poder ajudar e agir de maneira mais rápida.

Mas quem disse que seria assim.. O teste não tinha terminado... Melzinha voltou a ficar amoada... não queria muito saber de brincar, comer e só queria dormir...

Vocês sabem como é coração de mãe né!? Para mim ainda não estava certo... tinha alguma coisa errada com a minha pequena... Era dia 08 de Março, estava lavando roupa, lavando louça e meu marido dormiu com a Melzinha... O que pra mim foi muito estranho é que ela dormiu a tarde inteirinha e me veio algo na cabeça... “Vá observá-la”.

Foi aí que parei de fazer minhas coisas e fui vê-la... Me deu um clique e acordei o Eduardo e falei: "Vamos levá-la novamente pro Vera Cruz. Olhe como ela está. Está com dificuldades de respirar, tem alguma coisa errada!" Sua frequência respiratória estava 50 por minuto (sendo que o normal não poderia passar de 35) e aferindo a saturação estava em 82.

Então pegamos a malinha dela e fomos para o hospital. Neste dia repetiram alguns exames e o raio-x já mostrou algo diferente, o pulmãozinho já estava bem tomado do lado direito e agora haviam alguns resíduos do lado esquerdo também. Repetimos todos os processos do mês anterior... Fizemos algumas inalações com medicamentos para ver se ajudava a respirar, porém sua saturação estava baixa demais e não estava respondendo muito bem.

Aprendendo com a dor

Pronto... sabia que ela não sairia do Hospital... meu coração já palpitava novamente... É como se um filme reprisasse na minha cabeça.

Aprendendo com a dor

Claro, todo mundo fica desesperado! E como não?! Mas vou dizer, dessa vez parece que eu estava mais forte, mais preparada para questionar ainda mais os profissionais... Além de tudo, estava trabalhando também... Fazia horários malucos, acessava e-mails e outros sistemas do celular para não parar... E, infelizmente, nestes momentos, ainda escutamos pessoas reclamando que você não está dando 100% no seu profissional. Enfim, a vida é dura, mas creio que Deus dá os fardos certos para as pessoas certas, nunca ele daria algo mais pesado do que poderíamos carregar...

Minha preocupação agora era ela ficar recuperada e fortalecida para que não retornasse ao Hospital. Mesmo nesses momentos difíceis a minha abelhinha deixava todos alegres... abraçava, beijava e fazia suas poses rsrs

Aprendendo com a dor

Seu aniversário estava chegando... 14 de Março e teríamos que comemorar no Hospital... a surpresa foi que no dia de seu aniversário recebeu alta da UTI e foi para o quarto e a equipe médica foi muito legal... Deixou que enfeitássemos o quarto e até pediram para a Copa fazer um bolinho especial para a Melzinha... Tudo para que não fosse tão “frio” o seu dia...

Aprendendo com a dor

Desta segunda vez, a internação foi um pouco mais longa, mas pude garantir que ela não retornaria ao Hospital... Saimos de lá no dia 19 de Março de 2016. Agora sim, tudo estava perfeito e iniciamos o seu tratamento de asma junto ao Dr. Alfonso.

A Melissa agora estaria mais forte e com certeza preparada para continuar suas farras. Ficou fora da escola por um tempo, até estar completamente forte e mais imune aos vírus... Retornou à escola em Outubro de 2016 e até hoje está bem, sem crises fortes que precisassem de internações.

GRAÇAS A DEUS!!!