Pessoal, vocês sabem que a Melissa teve o diagnóstico de Apraxia de fala e desde Janeiro de 2018 estamos junto com a Fono Patricia Mariana Mazzante que está trabalhando em parceria com a Elisabete Carrara para que a Mel tenha sucesso rapidamente.

E hoje a Patrícia escreveu algo para que pudesse explicar um pouco mais sobre este assunto.

“A 'Apraxia de Fala na Infância (AFI)' é um diagnóstico novo que tem estado cada vez mais em evidência, mas ainda há muitas dúvidas e, por isso, nós profissionais que buscamos um atendimento completo para nossos pequenos temos que correr atrás e estudar, estudar e estudar...

Praxia é a habilidade de planejar, sequencializar e coordenar movimentos, portanto Apraxia/Dispraxia é a dificuldade ou incapacidade de realizar movimentos de forma sequenciada e coordenada, e pode ser Global, Oral e Verbal.

AFI era um termo utilizado para pessoas que já falavam, mas devido a uma intercorrência neurológica (ex: TCE/AVC) tiveram prejuízo ou a perda total do movimento da fala. Não era atribuído a crianças em desenvolvimento de fala e linguagem, mas em 2007 a ASHA (American Speech Language Hearing Association) montou um comitê de profissionais que estudaram e definiram a AFI como 'um distúrbio neurológico dos sons da fala na infância, na qual a precisão e consistência dos movimentos que permeiam a fala estão prejudicados. O principal impedimento manifesta-se no planejamento e/ou programação de parâmetros espaço-temporais das sequências de movimentos, resultando em erros na produção dos sons da fala e na prosódia.'

Este diagnóstico pode co-ocorrer com Síndromes Genéticas e Transtornos do Desenvolvimento ou de forma isolada e estudos direcionam para causa de origem genética.

As características mais relevantes são:

- Crianças que, por mais que tenham outros diagnósticos associados, não tem justificativas cognitvas ou estruturais para não desenvolver fala (crianças com boa compreensão);

- Ausência ou repertório limitado de fonemas e sons novos que demoram a aparecer;

- Inconsistências (a criança faz sons e palavras, mas não consegue fazer mais ou perde o que já falava);

- Dificuldades em produzir até mesmo as vogais, de forma voluntária;

- Quando vai iniciar a produção de algum som ou palavras, a criança hesita ou fica “ensaiando” como realizará o movimento;

- Dificuldade na co-articulação, isto é, passar de um som para outro (fala vogais e fonemas de forma isolada, mas não consegue juntar em palavras)

- Dificuldade com a acentuação das palavras e entonação;

- Quanto maior a palavra (mais sílabas), mais dificuldade.

Lembrando que o profissional capacitado para avaliar, diagnosticar e intervir em AFI é o (a) fonoaudiólogo (a)!

Acho importante ressaltar que quando há uma co-ocorrência com outros diagnósticos (Síndrome de Down ou Autismo por exemplo), as outras demandas fonoaudiológicas, como motricidade oral, alimentação, linguagem e escrita, também devem ser trabalhadas (ou encaminhadas), pois o desenvolvimento da criança ocorre como um todo.

Algumas orientações que gosto de passar para os colegas e os familiares:

- O contato visual é extremamente importante, a criança aprenderá mais olhando o modelo do outro;

- Invista na imitação global (movimentos grossos e finos), orofaciais e verbais;

- Brinque com sons, onomatopeias e músicas (muita música!) e sempre que possível associe a movimentos (fono arranja som pra tudo rs!)

- Os estímulos sempre devem ser lúdicos e prazerosos, o que aumentam a motivação da criança e potencializam os resultados.

Bom, eu ainda estou no começo do aprendizado de AFI, mas estudando muito e adorando descobrir coisas novas para auxiliar o processo terapêutico dos meus pacientes.

A conclusão que eu chego é que não existe receita de bolo, cada paciente é diferente do outro, mas a dedicação, persistência, criatividade e intuição ajudam muito!”

Quero agradecer muito a Patricia por compartilhar este conhecimento com todos nós!!!