Olá pessoal! Hoje queria falar com vocês a respeito da apraxia de fala. Não sou profissional no assunto, mas tudo o que aprendi e estou trabalhando com a Melissa, quero dividir com todos vocês para que vocês observem e possam também trabalhar com seus filhos.

            A Melzinha não fala muita coisa, o que ela fala pronuncia muito bem como mamãe, papai, vovó... Mas claro que as preocupações são constantes e você começa as pesquisas, análises e busca de profissionais para ajudar sua criança no que for preciso.

            Quando a Melissa completou 3 anos, eu já estava um pouco preocupada, pois não conseguia ver uma melhora na questão de quantidade de vocabulário e suas pronúncias. Aqui na região de Campinas não tem nenhum profissional especializado em apraxia, temos profissionais que estão se especializando. Levei a Mel em mais de 8 fonoaudiólogas para fazerem uma avaliação. Tudo isto num período de Maio a Julho de 2017.

            Eu tinha a certeza de que a Melissa tinha apraxia e até conversei muito com uma mamãe chamada Vania, mãe do Vitor, que tem apraxia e com 3 anos está falando de tudo rsrs porque desde os 2 anos faz o tratamento adequado para apraxia. Trocamos muitas ideias e aí pedi a indicação da Fono que cuida do Vitor, mas era em São Paulo...

            Bem, eu estava grávida do Eric e a correria estava grande e eu não estava conseguindo adequar os horários para levá-la até São Paulo... Mas até que eu coloquei na minha cabeça que era o principal, o resto ficaria para trás... Foi aí que liguei, em meados de Outubro de 2017, para a secretária da Dra Elisabete Carrara e marquei um horário... Infelizmente não tinham horários disponíveis, apenas para 2018, mas ela disse que final de ano sempre haviam desistências e que ela poderia me retornar caso surgisse uma vaga.

            No final de Novembro ela me ligou dizendo que tinha vagado o dia 20 de Dezembro e eu aceitei...

            Foi bem corrido irmos para São Paulo, ainda mais com o Eric pequenininho, com apenas 1mês ... Mas fui, junto com a Melzinha e minha mãe, meu anjo da guarda que me ajuda em tudo!!!

            Chegamos no consultório e quando a Dra chegou, passou quase 1 hora comigo pedindo detalhes sobre a Melissa e todo o seu desenvolvimento atual. Depois disso passou 40 minutos com a Mel para avaliá-la e depois os outros 20 minutos para me dar o diagnóstico e fechar como trabalharíamos a partir dali.

            Bem, a conclusão foi feita e como eu já sabia, a Mel tem apraxia de fala. O que é mais importante para mim é que a Fono da Melissa de Campinas se dispôs a trabalhar em parceria com a Dra Elisabete para que a Melissa pudesse ter o melhor desenvolvimento possível. Agradeço muito a Patrícia Mazante por aceitar e trabalhar em conjunto para o futuro de minha pequena, o tratamento estava no caminho certo, precisamos ajustar pequenos detalhes e insistir mais em alguns exercícios.

            Agora vamos lá! Colocarei aqui para vocês algumas informações sobre a apraxia, com ajuda das instruções da Fonoaudióloga Elisabete Carrara de Angelis e como vocês podem ajudar seus filhos identificando o quanto antes.

           “O que seria Apraxia? Bem, é um distúrbio neurológico da comunicação comprometendo a capacidade de programar voluntariamente a musculatura dos órgãos fonoarticulatórios e a sequência dos movimentos musculares para a produção de fonemas, palavras e frases. É muito importante pontuar que pode ser pura ou associada à Síndromes TEA ou Transtornos.

Existem 2 fatores principais para afetarem a fala na Síndrome de Down que são as habilidades motoras orais (relacionadas à força e mobilidade dos músculos faciais para movimentos relacionados à fala – muito comum devido à hipotonia que todos na Síndrome de Down tem) e as habilidades de planejamento motor oral (referem-se às habilidades de combinar e sequenciar sons em palavras).

            Na apraxia de fala a criança sabe o que quer dizer, mas é como se o cérebro não conseguisse mandar a ordem para a língua e boca movimentarem nas sequências exigidas, portanto é considerado um distúrbio neurológico da comunicação onde a criança não consegue posicionar voluntariamente a musculatura para emitir os sons.

            Como podemos identificar se a criança tem apraxia? Bem, aqui vão algumas dicas que existem em muitos livros de apraxia de fala:

1-    Esforço para se comunicar buscando ajustes motores na tentativa de produzir o som correto

2-    Repertório limitado de fonemas e palavras

3-    Dificuldades de combinar fonemas (ex: fala Pa, às vezes Papai, mas não consegue dizer Pé, Pi... Fala as vogais A e U mas não consegue dizer AuAu)

4-    Tem ótima compreensão da linguagem melhor que habilidades de produção

             Em 2007 a ASHA (American Speech Language Hearing Association) concluiu que a Apraxia de Fala na Infância (AFI) é um distúrbio neurológico dos sons da fala na infância, na qual a precisão e consistência dos movimentos que permeiam a fala estão prejudicados. O principal impedimento manifesta-se no planejamento e/ou programação de parâmetros espaço-temporais das sequências de movimentos, resultando em erros na produção dos sons da fala e na prosódia (acentuação ou entonação).

             Existem 3 tipos de Apraxia:

- Apraxia Oral: criança apresenta a dificuldade de combinar e sequenciar os movimentos para atividades orais que não a fala, exemplo sopro, sucção ou mastigação;

- Apraxia Global: a criança tem um cognitivo um pouco comprometido, apresenta a apraxia oral e de fala, é descoordenada para realizar algumas atividades;

- Apraxia de Fala: a criança tem coordenação motora muito boa, cognitivo que não condiz para a criança não falar, mas a criança não consegue produzir os sons corretos ou combinados. Ex: A criança fala bó e fala lá, mas não consegue falar BOLA.

              Bem, estudos e análises levam a crer que 90% das crianças com Síndrome de Down apresentam alguma Apraxia. Às vezes a apraxia pode ser leve e com os treinos e terapias fonoaudiológicas corretas a criança falará normalmente e rapidamente.

              O quanto antes for identificado e consequentemente reabilitado, melhor será para a criança que terá o desenvolvimento de suas potencialidades.

             Lembrando que o diagnóstico deve ser feito por profissionais especializados, este tipo de distúrbio não pode ser encontrado em ressonâncias, tomografias ou afins."

              Abaixo segue um vídeo que poderá ajudar vocês.

Bem, espero poder ter ajudado com isto e agradeço aqui a Profa. Dra. Elisabete Carrara de Angelis CRFa 4852/SP.