Como mencionei para vocês, o período padrão para que o bebê suba ao quarto para ficar com a mamãe e o papai e tenha a sua primeira mamada é de, aproximadamente, 2 horas depois do parto. Eu estava anciosa para ter minha princesa em meus braços e 3h30 já tinham passado. Comecei a ficar inquieta e pedi para o Eduardo falar com as enfermeiras para saber o que estava acontecendo.

Depois de 5h do nascimento da Melissa, veio a notícia de que ela precisaria ficar na UTI para estabilizar a saturação (pois estava com oxigenação baixa no corpo) e a temperatura corporal. Naquele momento meu chão caiu e eu pensei como seria possível eu ficar no Hospital sem a minha florzinha em meus braços???

Os horários de um UTI são bem restritos devido aos cuidados. Podíamos vê-la das 10h às 12h, das 14h às 17h e das 19 às 22h.

Consegui levantar da cama pela primeira vez depois da cirurgia às 23h30. A enfermeira me ajudou a tomar um banho e aí me deu uma super notícia, de que veríamos a Melissa. Eles conseguiram uma exceção, já que eu não tive a oportunidade de vê-la antes. Todos estavam sendo muito compreensivos e nos orientaram o máximo quanto ao estado dela e os cuidados que estava tendo na UTI.

Levei 20 minutos para descer do quarto para a UTI, já que estava operada e meus passos eram bem lentos.

Chegamos no local, desinfetamos nossas mãos e braços, colocamos os aventais próprios para a UTI e entramos. Senti um mix de emoções.

Felicidade imensa ao vê-la dormindo tão serena no bercinho, minha abelhinha doce feito Mel, mas também uma dor grande no peito, pois ela estava cheia de fios de controles dos equipamentos, estava usando o “capacete” de oxigênio e tinha uma luz em cima dela para aquecê-la.

A separação e o alívio

 

Ficamos ali, apreciando ela na madrugada, com a esperança de ter uma recuperação rápida e irmos para nossa casa. E me tranquilizei, pois pude ver o amor que os profissionais tinham com todos os bebês e tive certeza que ela estava sendo bem cuidada.

Todos os dias passávamos o máximo de tempo possível com ela na UTI e, nos intervalos, voltávamos pro quarto. Quando estava no quarto, as enfermeiras me ajudavam com as massagens para estímulo do leite, assim ele não secaria ou empedraria.

Domingo, dia 16 de Março, minha médica veio me ver para me dar a alta, pedi que me deixasse mais um dia, pois tinha esperança que a Melissa se recuperaria e eu poderia sair dali com ela em meus braços. A médica foi compreensiva e me deu mais um dia de internação.

Infelizmente, segunda-feira, dia 17 de Março, recebi a alta e não tinha mais como ficar. Este foi o momento mais difícil, pois tive que deixar o Hospital. Esperar o Eduardo no Lobby, sem ela em meus braços, ver outras mamães deixando o Hospital com seus bebês, partia o meu coração e eu me sentia totalmente impotente e culpada em sair dali e ela ficar sem a minha companhia.

Ia para o Hospital bem cedo, ficava das 09h às 22h no Hospital, e nos intervalos ficava na sala de lactação (extraindo leite para que pudessem dar à Melissa), restaurante ou cafeteria para passar o tempo. Nesse período, pesquisei tudo o que era possível para saber e entender melhor sobre o assunto Síndrome de Down e saber todas as Instituições especializadas na região de Campinas para que quando a Melissa saísse nós pudéssemos visitar.

Na terça-feira, dia 18 de Março, no período da manhã, cheguei na UTI fazendo todos os procedimentos de higienização e esterilização para entrar e vê-la. A felicidade foi escutar da enfermeira que eu poderia amamentá-la direto em meu seio, pois já gostariam de iniciar essa aproximação e sensação de pele. Chorei de felicidade. Sentir aquela preciosidade em meu seio, sugando pela primeira vez o meu leite foi uma emoção tão grande que eu não cabia em mim.

Pude trocar suas fraldas, amamentá-la, dar banho e ajudar o máximo que eu podia as enfermeiras, pois eu fazia questão em fazer tudo com a minha filha. As enfermeiras já sabiam e quando chegava o momento de alguma atividade com a Melissa, elas só viravam e falavam: “Mamãe, quer dar o banho nela agora?” CLAROOOO kkkk Eu queria fazer tudo.

Ali nós criamos um laço de afinidade e confiança e ela sabia que podia se apoiar em mim, que eu estaria com ela em todos os momentos.

Na sexta-feira, dia 21 de Março, a Melissa recebeu a alta da UTI e subimos para o quarto. Eu estava muito feliz, pois tê-la ao meu lado, no bercinho, sem fios, sem controles, apenas ela, era demais de bom.

A separação e o alívio

O Du conseguia participar mais, pois na UTI é restrito apenas uma pessoa e no quarto, por ser final de semana também, ele pode ficar 24h com a gente.

Recebemos muitas visitas e todos estavam muito felizes em vê-la também pela primeira vez.

No Domingo, dia 23 de Março, recebemos a alta para ir para casa. Eu estava transbordando de felicidade, ia sair do Hospital com minha pequena em meus braços. Sair no carro com ela no bebê conforto, chegar em casa e poder vê-la em seu bercinho foi também uma das maiores felicidades que podia ter.

               A separação e o alívio    A separação e o alívio

 

Tinha chegado o momento tão sonhado, de ter nossa pedra preciosa junto de nós e no ambiente em que criamos para recebê-la com muito amor.

Precisamos sempre confiar em Deus e ter fé, pois isso é o que move montanhas e nos fortalece para enfrentarmos os desafios diários.