Nossa... um assunto muito abordado por todos, independente de terem crianças com necessidades especiais ou não. Muitos pensam como um irmão é importante na vida das crianças e é por isto que eu gostaria de escrever sobre o assunto e, claro, contar com a participação de algumas mamães que já tem mais de um filho, para nos ajudar a entender a importância dos irmãos para as crianças com Síndrome de Down.

A Melissa é minha primeira filha e, quando ela nasceu, muitas pessoas me questionavam se eu teria outro filho. Eu disse que sim, queria 3 filhos, porém por conta da recuperação da cesárea que tive não ser tão rápida quanto eu esperava e as condições financeiras não estarem preparadas para 3 crianças (porque gente como as coisas são caras né rsrs) penso em apenas 2.

Algumas pessoas me questionavam se eu não tinha medo de ter outra criança com Sídrome de Down. E para mim, nunca me passou pela cabeça esse tipo de situação, apenas penso em ter outro filho, não me importo como será, pois Deus sabe o que faz e tenho certeza que ele escolhe a dedo. Se tiver outro filho com Síndrome, qual seria o problema? Todas as crianças com Síndrome de Down se desenvolvem como as demais, apenas, como disse anteriormente em alguns posts, precisam de um tempo maior, de um estímulo maior e muito amor.

Terei sim outro filho, já estou me programando para que aconteça. Penso que o segundo filho poderá ajudar a Melissa em seus desenvolvimentos, não agora, porque ela já está uma safadinha e aprontando todas rsrs. Mas penso mais no futuro, na fase de criança e adolescência.

Trouxe aqui para vocês experiências de três grandes amigas, a Gisele Tomasello Praxedes, a Cassiane Almeida Lunardini e a Mislene Alves Timoteo que descreverão como se sentem com relação aos irmãos e como eles ajudaram os bebês/crianças com Síndrome de Down.

Gisele: Fui convidada pela Carina e aceitei com muito prazer em dividir minha experiência sobre um assunto que me traz grande alegria: “A importância do irmão” e complemento um pouco mais, a “importância do irmão (a)  e o quanto a relação deles influencia no desenvolvimento” que, no meu caso, o mais novo tem Síndrome de Down.

Letícia, minha filha mais velha, tem 11 anos e Samuel 1 ano e 2 meses, ao contrário do que imaginava que seria uma relação com ciúmes decorrente da diferença de idade e pelas atenções serem voltadas para o Sam (assim o chamamos) diante da necessidade do acompanhamento, fui surpreendida desde o nascimento dele com muito amor e dedicação ao irmão e destaco o grande comprometimento junto à nós, pais, em fazer o melhor para o Samuel em ter uma vida normal como qualquer criança. 

Além do acompanhamento que a Letícia faz em muitos momentos com o Samuel nas terapias, momentos que ela faz questão de participar, pratica e nos cobra das lições de casa que as profissionais nos passam. Acredito que o irmão tem uma participação extremamente importante e de destaque no desenvolvimento, percebo uma relação de influência tão grande que, em muitos momentos, superam as nossas. Vejo a vontade extrema do “pequeno” em imitar a irmã, ação que ela o leva aos estímulos frequentes, contribuindo na redução do tempo de uma etapa para outra em sua jornada de superação. Ainda falando nos estímulos, as brincadeiras são constantes e intensas,  além disso, os dois batem “altos papos” e é até engraçado, mesmo o Sam não falando ainda, ela conversa muito com ele e percebo o quanto ele corresponde a irmã.  

Diante dessa importância do irmão (a) que compartilho um pouco com vocês, destaco o sentimento mais lindo e sublime deles, o AMOR...é puro, é verdadeiro, eles brincam e brigam sim, ainda mais na minha situação que é extrema, um bebê e uma adolescente, mas a falta de paciência dela são segundos durante um dia que só transborda o amor acima de qualquer dificuldade, de qualquer terapia...o mundo deles é unido por um elo forte, onde um é protagonista da vida do outro, que resulta em um espetáculo lindo de companheirismo e cumplicidade. 

Quanto a mim e meu marido, agradecemos a Deus por nos permitir vivenciar essa linda história, que nos ensina todos os dias que o mais importante de tudo é saber que a Letícia e o Samuel estão felizes e unidos.

A importância dos irmãos

A importância dos irmãos

Cassiane: João Vitor, 11 anos, e Pedro, 2 anos, apesar da diferença de nove anos sempre eles são muito parceiros, existe uma relação de amor, companheirismo explícito entre os dois, é lindo de ver como são unidos.

O João chama o Pedro carinhosamente de “meu pacotinho” e é assim que eu vejo, onde ele vai o Pedro vai atrás. João indo brincar e levando seu pacotinho junto, indo ver tv com seu pacotinho que não desgruda do irmão por nada.

Estamos tendo um ótimo desenvolvimento do Pedro e não temos dúvidas que a relação com o irmão tem sido fundamental.

As brincadeiras que propomos acabam sendo como terapia. João está sempre com amigos em casa, que servem de espelho para o Pedro que está sempre no meio da turma participando de tudo, observando e imitando a meninada.

A relação enche de orgulho e me deixa mais tranquila com relação ao futuro. João está se tornando um jovem, aprendeu a dividir o que foi só dele por muitos anos, tem se manifestado muito mais carinhoso, atencioso, dedicado e muito cuidado com o Pedro.

Quanto ao Pedro uma tranquilidade que chega a me trazer a paz em saber que para sempre ele terá o irmão, que vai amá-lo e com quem poderá contar durante sua vida.

A importância dos irmãos

A importância dos irmãosA importância dos irmãos

Mislene: A Milena tem SD e, quando tinha 4 aninhos, decidimos dar um irmãozinho para ela. Ela acompanhou tudo, exames, ultrassom, etc.   Quando o Vitor nasceu, ela dizia que era o bebê dela... Carinhosa, toda delicada, super cuidadosa com o irmão... Porém, o momento temido aconteceu, ela regrediu em alguns aspectos como fralda, queria voltar a tomar mamadeira, etc... Junto com a psicóloga, fomos trabalhando, mostrando para ela que já era mocinha, que não precisava de nada que ele ainda usava, o que ajudou no desenvolvimento e ainda ajuda.

            Milena, como toda menina, tem seu instinto de mãe, protetora, brincam muito juntos, brigam muito também, isso foi ótimo pois ela aprendeu a se defender, impor suas vontades, a argumentar do porque ela quer esse desenho e não o outro, enfim, acredito que os dois se completam e muito... são parceiros de farra, de artes, são cúmplices nas artes, em esconder coisas da mamãe... como ótimos irmãos, brigam, se batem, mas quando a mamãe e o papai se metem, escutamos dos dois, ela: deixa o menino mamãe e ele: deixa a tata mamãe, ela só está brincando, foi sem querer... rsrs Na fala ajudou muito, pois ele ajuda a corrigir as palavras de modo natural, na brincadeira, ela ouve e fala direito... O legal é que durante o atendimento da Milena na Fono, ele entra e ensina a irmã a colocar a mão na garganta para ela sentir a vibração das palavras, ele usa isso para corrigi-la... Acho que não tenho palavras para descrever o quão importante foi o irmão na vida da Milena.

A importância dos irmãos

Gi, Cassi e Mis quero agradecê-las pela participação de nos passarem a experiência de vocês e mostrarem a importância dos irmãos na vida de nossas crianças e como isso pode ajudar no desenvolvimento e na vida futura deles.