A gente nunca sabe como seria vivenciar determinada situação até que aquilo aconteça com a gente ou com nossa família.

Conhecem aquele ditado: “a gente pensa que nunca vai acontecer com a gente”? Pois é...

Mas a hora que acontece, as reações são inesperadas, às vezes previsíveis e outras inimagináveis!

E foi num belo dia 14 de março de 2014 que tivemos uma grande surpresa, mas ao mesmo tempo, um presente de Deus!

Nossa Melissa chegou ao mundo às 15h14, pesando 2,845 kg e medindo 45cm. E junto com ela veio a notícia que ninguém esperava: ela era especial!

Meu cunhado acompanhava o médico, que trazia nossa princesa ao colo, para ser apresentada à família. Depois da emoção que não passava (e que emoção!), meu cunhado nos comunicou: “a Melissa é especial”. Eu imediatamente respondi: “Claro que ela é especial!”. E ele tornou a dizer: “Taty, você não entendeu, ela é especial, ela tem síndrome de down!”. E eu, toda feliz, continuei a vibrar, pois era minha primeira sobrinha e eu já a amava desde o momento que soube da existência dela.

Até que a emoção tomou conta dele e um choro sufocado veio à tona... afinal, não sabíamos que ela tinha um cromossomo a mais, os exames todos foram normais durante a gestação e era uma surpresa o dignóstico do parto.

Apesar de tudo, a notícia não me abalou, e eu falei para ele: “Fique tranquilo, Deus só entrega crianças especiais a pais especiais. Vocês foram escolhidos!”

A família toda que estava ali naquele momento se envolveu num abraço coletivo e choramos juntos, num misto de emoção, alegria e incertezas.

Graças a Deus o preconceito não foi problema para nós, sequer vivenciamos o chamado “momento de luto”, porque para nós, o diagnóstico era uma coisa normal, que não fazia diferença, como se falassem pra gente que ela nasceu com uma pintinha na mão.

É claro que inúmeros pensamentos começaram a encher nossas cabeças, não pelo preconceito, mas talvez pelo medo do desconhecido e pelas incertezas de como seriam as coisas dali por diante.

Ainda bem que minha irmã é super prática e, já no quarto, começou a pesquisar na internet tudo a respeito: sintomas, problemas que podem ocorrer, como lidar, que tipo de auxílio oferecer, quais as atitudes tomar, e assim por diante.

É engraçado como sabemos as coisas na teoria, porém, a prática é bem diferente! Saber do que se trata a síndrome é fácil, porém, saber o que melhor proporcionar à criança é inesperado.

É certo que o desconhecido gera insegurança, ainda mais quando somos pegos de surpresa, como foi o caso da Melissa. Mas a aceitação e o amor incondicional são a chave para a superação de qualquer desafio que está por vir.

E foi assim, vivendo um dia de cada vez, enfrentando cada situação, buscando amparo dos mais experientes no assunto e, acima de tudo, amando, que passamos a conviver com esse anjo de uma forma única, maravilhosa, grandiosa e abençoada!

Muito nos enganamos quando pensamos que somente nós teremos a oferecer a esses seres encantados, enviados por Deus para mudar nossas vidas. Na grande maioria dos casos, são eles que muito nos ensinam, principalmente a pureza e veracidade do amor, na sua mais simples forma: espontânea e desinteressada.

É claro que cada caso é um caso específico, cada mãe e cada família vive uma experiência única e diferente, mas acho que é válida a troca de vivências a fim de auxiliar o próximo. Se estiver ao nosso alcance, pretendemos passar a todos as nossas experiências com esse anjo chamado Melissa, para que todos possam, de alguma forma, encontrar o melhor jeito para lidar com tanto amor!